nas entrelinhas

Em pouco tempo o tapete ficou coberto pela pilha de papeis amassados que ela, com raiva, arremessava contra a parede. Era sempre assim. Ela sempre terminava se desfazendo em palavras, mesmo quando essas já não surtiam mais efeito algum. Por bem ou por mal, ainda tentava em vão ganhar credibilidade entre as palavras e quem sabe conseguir domesticar um caos que entre linhas reconstruía a mesma história em forma de paródia. Com desaforos em letras maiúsculas e tudo. E foi entre um verso de neutralidade e equilíbrio, que a estabilidade ganhou voz pra cantar um desespero mudo em tom de zombaria. No superlativo. E era só insegurança que perde a inspiração e usa da expressão pra se fazer valer. De prolixo direto pro lixo. Mais uma vez em sigilo. E de repente, ali, no chão da sala, envolta por sílabas sem brilho, descobriu que TENTAR era um verbo que ela já não conjugava mais. Em tempo nenhum.

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