aqui

Então vem. Traz o mistério dos teus olhos.

Vem ser a urgência das minhas esperas. Vem ser a possibilidade de uma promessa. O sorriso nos intervalos de pausa. A desculpa na ponta da língua. Vem.

Vem ser metade inteira da minha plenitude. Vem ajustar os ponteiros de um coração errante. Vem pontuar o pouco que não me cabe. Deixa eu caber num abraço teu. Descompõe o meu querer. Conjuga a minha solidão.

Vem ser meu par.

Eu, que sempre fui tão ímpar.

por trás dos olhos

Eu, que sempre vivi aos esbarrões absurdos com o destino. Que estou sempre tão sujeita a tantas possibilidades.
Eu, que não sei esperar e quero tudo pra ontem. E tenho tudo. Ordeiramente fora de ordem.

(...)

Talvez, por fidelidade ao passado. Talvez, pela necessidade de amar. Talvez, por tentar sempre de alguma forma fixar o que já me escapou. Continuo aqui. Intacta. Com o frio na barriga, o coração na garganta e a alma inquieta...

fúcsia

Em meio a tantos desencontros o meu coração te escolheu. Então enlaça a tua mão na minha. Amarra o teu destino ao meu e inflama o meu querer. Porque só você aquieta o meu desassossego (...) Deixa o futuro contar a nossa história. Porque às vezes, a única arma que a gente possui é o coração. Então se entrega. Deixa a intimidade desconstruir essa obviedade de tudo que sempre foi tão recíproca em nós. Porque para cada desavença haverá uma bandeira branca.

E então, que seja amor. Mundo afora e mundo adentro.

feito luz

Te guardei em cada suspiro empoeirado que o destino conservou em segredo. Te pintei com as minhas lágrimas e te preenchi com os meus vazios. Eu te guardei no avesso do mundo. E continuo aqui rabiscando versos avulsos pra aprisionar você.

Você: minha válvula de escape pra eu me afogar em mim mesma (..)

Faça alguma coisa para me (de)ter

Te quero tão bem. Te quero também...

lusco-fusco

(...) Então a gente esboça um sorriso no peito. Tira a lama das veias. Ajeita a carga nos ombros e aceita a luta. Porque é preciso colocar os pés na estrada, e dessa vez, eu vou estar bem por mim mesma.

feliz ano velho

Então é isso. Uns dias ainda. Uns dias mais pra se chegar ao fim da estrada (...) Será mesmo? O tempo sempre foi esse fio de alta tensão. A minha desculpa pras falhas. O meu redimir praquilo que não se pode mais pedir perdão. E confesso que este ano quase me rendi à sua imobilidade. E as consequências impiedosas de um amor imprudente. Foi preciso por vezes, ser mais vertical do que o meu próprio equilíbrio permitia. E lutar, resistir, contra todas essas possibilidades que abrem infinitas suspeitas por dentro e desajustam tudo... E cá estou mais um ano seguido, com o coração no lugar, desejando que este caminhar seja assim sempre leve. Mesmo que insano. Mesmo que desmedido. E que os calendários cheguem sempre assim, despretensiosos...

fogo por fogo

Eu sempre tentei ser mais sonora do que o meu próprio silêncio pra não sucumbir na tristeza que é ser sozinha. Entende? Só que a gente só cresce quando assume a responsabilidade de ser quem a gente realmente é. E eu continuo aqui cheia de defeitos. Às vezes me deixo arrastar por entre essas brevidades de alguns intervalos em que eu paro pra olhar com menos susto o quão assustador isso tudo ainda me soa. Como se eu pudesse assim, me manter na superfície disso tudo. Como se eu ainda pudesse deixar os limites todos claros outra vez. Como se o tempo ainda esperasse pra ser tempo. E não cura, não bálsamo, não espera ou desculpa. Só tempo (..) Então eu abro a janela, o olho, a alma e o coração pra ver se essa tristeza vira verão e faz sol aqui também...