até desistir

Fim é mesmo uma palavra condenada por definição. Traída pela semântica, combatida pelos pontos finais. É meu caro... game over, fim de linha, o arranque das despedidas... Não há como negar que todos nós abandonamos alguma coisa ali quando terminou. Nós, que sempre estivemos de mudança. E eu, que sempre quis ir embora e agora estou voltando pra um lugar do qual nunca saí de fato. Então deponho as armas, refaço as malas e levo comigo meu coração-bagagem rumo ao embarque dos desimpedidos. Pois agora eu sei. O futuro é o que sustenta o passado, não é mesmo? E essas fatalidades sempre me parecerão escolhas minhas. Porque agora desamarrar os nós parece tornar os laços mais fortes, entende? E tudo é relativo. E exato. Então eu espero e tudo me aguarda. É hora de provar o doce-amargo que antecede as despedidas.

Vem meu caro, vamos jogar. Os dados foram lançados...

des-espero

Talvez seja tarde para justificativas, embora eu continue sempre parecendo precipitada naquilo que faço. Ou talvez tudo já tenha sido realmente dito ou feito e agora estamos mesmo fadados ao silêncio. Porque as certezas que me chegam, ainda ecoam como uma tristeza. E eu me pego aqui repetindo erros antigos, desgastando as mesmas palavras com desculpas mal formuladas; Equilibrando tudo nos ponteiros do relógio para que o tempo não abrevie os meus devaneios. Entende? É que eu sempre fui dessas egoístas que não sabe dividir o próprio espaço e me vi meio invadida desde que você chegou fantasiado de sutileza, vestido com seus charmes e olhares e perfumes. E possibilidades. E eu só queria te dizer como é ver o mundo refletido nos teus olhos. Só queria que o meu silêncio pudesse dizer tudo o que eu sinto quando você me abraça. Porque nós sempre fomos um casal homogêneo. Apesar dos desencontros, dos desalinhos, das palavras tortas. Nós fomos determinados pela sorte, menino. Você é aquele que perdoa a minha imperfeição nessa desordem que é o mundo. Eu me entreguei a você e nunca me senti tão minha sendo tão sua. E é por isso que você não merece ser uma lembrança triste.

Desfaz esse engano destino...


rodapé

Ainda bem que janeiro está ai. Limpo, benigno. Pronto pra renovar as esperanças, dar anistia aos desacertos, resgatar as coordenadas e reanimar certas coisas que involuntariamente morrem com a chegada do calendário novo...

2011 ?

2011 pra mim foi um ano que talvez tenha começado meio que de trás pra frente. Despretensiosamente eu fui sujeitada a me moldar às suas circunstâncias e possibilidades que me pareciam inofensivas até agora. Mas a verdade é que eu não estou tão imune quanto aparento. Porque apesar de tudo eu sempre temi esse arremate das coisas mais perecíveis, entende? E afinal esse foi um ano de despedidas, não é mesmo? Um ano que desde o começo esteve em processo de liquidação. E eu não sabia se torcia para que o tempo se esticasse ou se desdobrasse em conta-gotas, mas apesar de toda a minha im-paciência acabou passando num piscar de olhos desapressado. E agora no fim é preciso por à prova a fatalidade dos detalhes. Agora à beira da renuncia é preciso resguardar alguns matizes de verde para que neste ano que floresce eu não perca essa alegria despreocupada que domina o desespero dissimulado que eu oculto no peito. Agora é preciso pontuar as minhas decisões. É chegada a hora da minha baliza: hora de calibrar o relógio pra um tempo novo.

isso é uma bandeira branca

Eu poderia dizer que tudo bem, você decidiu por nós. Mas, sinceramente? Estou longe de ser assim tão bem resolvida. Eu, que respiro independência e nunca soube ao certo como é ser livre. Mas, tudo bem. Vou ficar fingindo que não é nada demais. Ainda temos muito a contar. A conter. E o cada um por si ainda me soa bastante válido... É só que amor neste caso não tem nada a ver com mérito, entende? E um pedido de desculpas (in)felizmente não resolvem certas coisas. Eu achei que talvez não pudesse conviver com alguém que aceitava os meus defeitos melhor do que eu mesma. Mas então isso cresceu e se fez instância. E de repente a falha se tornou instantaneamente vantajosa. Mas eu quis pelos motivos errados. Entende? Eu te amei com urgência. Eu briguei contigo só pra poder me defender de mim mesma. Eu quis honrar a culpa de te querer com exagero. Aí eu te dei corda e você acabou se enforcando (...) O meu problema menino, é que eu não sei perder pra mim mesma. Mas você, você errou com a pessoa errada. E é aquilo que dizem: atitudes valem mais do que palavras. Mas acho que você sabe disso melhor do que eu...

aqui

Então vem. Traz o mistério dos teus olhos.

Vem ser a urgência das minhas esperas. Vem ser a possibilidade de uma promessa. O sorriso nos intervalos de pausa. A desculpa na ponta da língua. Vem.

Vem ser metade inteira da minha plenitude. Vem ajustar os ponteiros de um coração errante. Vem pontuar o pouco que não me cabe. Deixa eu caber num abraço teu. Descompõe o meu querer. Conjuga a minha solidão.

Vem ser meu par.

Eu, que sempre fui tão ímpar.

por trás dos olhos

Eu, que sempre vivi aos esbarrões absurdos com o destino. Que estou sempre tão sujeita a tantas possibilidades.
Eu, que não sei esperar e quero tudo pra ontem. E tenho tudo. Ordeiramente fora de ordem.

(...)

Talvez, por fidelidade ao passado. Talvez, pela necessidade de amar. Talvez, por tentar sempre de alguma forma fixar o que já me escapou. Continuo aqui. Intacta. Com o frio na barriga, o coração na garganta e a alma inquieta...