poente

Ô menina, desinquieta esse peito...
O infinito do acaso cabe num instante. 
E a felicidade é o mérito imerecido de quem vive essa inconsequência que é ser

(...)


O silêncio é que dá voz pros teus fantasmas...


repouso


Estica teus horizontes pra eu poder te alcançar. Faz do teu coração o teu porto e dos teus olhos vitrais pro mundo real.

Porque é preciso tragar a vida com displicência. Entende?

(...)

Doa-te a ti mesmo
Veste-te com os teus arco-íris
E cerca-te sempre de sorrisos pra eu poder sorrir também. Porque o teu riso é palco da minha alegria.

Mas, entrega-te aos teus anseios de quando em vez. 
Às vezes, é preciso silenciar o coração...

Porque nessa vida também se padece de alegria, menino... 

fosforescências

Essa história começa com um ponto final. O tempo tem o instante da aurora. A impermanência do ser. A fugacidade do estar. 

(...)

Essa história é sobre tudo o que não restou. Meu silêncio já não cabe no verbo e sou toda reticências: incontínua. 
Eu sou todo breve pulsar que me devora. 
E esta é a mecânica do caos. 

floreios


Deixa o que se partiu nas quebradas da vida, meu bem. E vem. Vem porque eu te espero...

Vamos dançar nos contornos do mundo, destruir nossos muros pro que ainda há de vir. Vamos colorir os silêncios, florescer mais uns sonhos e inventar mais desculpas pra gente ser feliz.
(..)

Vem cambalear nas esquinas, cuidar da minha sina, enfeitar a minha solidão. Vamos chatear os sóbrios com nossos desatinos e zombar dos destinos que insistem em esconder aquilo que estamos procurando.  
Vem porque tudo pede urgência quando teus olhos me alcançam. Vem ligeiro. Vem inteiro. Vem por nós desatar o que já não tem mais jeito.
(..)

Deixa a pressa lá fora, traz café e abrigo. E vem. Vem que somos um do outro enquanto quisermos ser.
E eu sou tua. Tua casa, na-morada...

Quando vens, pra ficar?

redemoinhos


Se espreguiça que o mundo acabou de acordar. Abre as janelas e vê: borboletas bordam a primavera no céu. Põe tua fantasia e vem ser quem tu és, menino. Nosso amor anda girando nas cirandas da vida e quase sempre me lembro de ti nesses momentos em que o mundo parece deter-se suspenso. Teus olhos são bolinhas de gude. E me confundem. Mas, eu decorei teus passos pra seguir teus caminhos. Tu: que açucarou os meus dias com teus desvarios e me fez tão feliz que eu quis emprestar minha alegria pra você sorrir
(...)

Meu coração é bússola, mas você se perde e não vê.

meia luz

E tropeço mais uma vez nas palavras pra tentar desafogar esse peito que bate sempre em contramão. E antes que eu dê por tudo isso, o fim se antecede ante a iminência de um possível ponto final (...) É que talvez toda fatalidade carregue em si um pouco de casualidade. Entende? E eu de repente por ter limites tão vastos me vi enclausurada e fiz emergir certas coisas simplesmente por querer mergulhar demais. 


auroras

Eu posso até estar errada... Talvez só sejamos personagens de uma história de enredo frouxo. Talvez o medo seja só uma coragem virada pra dentro. Ou, talvez, eu só esteja confundindo esses caminhos que singrei e as dores que também sangrei nos últimos tempos (...) É que chegamos ao fim da linha, mas às vezes  é como se eu tivesse ficado pela metade do caminho, entende? E os sopros que me chegam são quase como ventanias; quase como uma urgência contida nas veias que nada mais é do que procura. Procura que desafia o amor ferido de morte, a vitória pela metade e essa alegria dançando nos olhos. Procura que condena a armadura que eu escondo nas engrenagens do peito e desafia esse "tardar-se".

(...)
Desfaz da tua armadura e eu te dedico todos os meus sorrisos, menino.