paródia de nós

Você foi o típico acidente de propósito. Meio esquerdo. Meio errado. Meio como um equilíbrio vertical pra eu nunca precisar colocar os pés no chão outra vez. É que eu sempre fui mais plural sendo sozinha, entende? E eu nunca percebi quando foi que a nossa história me escapou por entre os dedos. Quando foi que eu comecei a entrar no seu jogo pra fazer as minhas próprias regras. Porque eu sempre fui muito pequena e agora o mundo todo parece caber dentro de mim. Consigo até tocar as estrelas mesmo sem nunca ter tido tamanho pra tanto (...) Vem buscar o amor que você deixou aqui no meu peito. Corrompe a métrica do meu compasso e rouba o meu coração só mais uma vez. Sustenta minhas mentiras pra eu poder me convencer da tua veracidade. E me prende, me aperta, me cerca nos teus braços só pra eu nunca mais perder a minha liberdade.

A gente seria a confusão mais bonita se a gente fosse pra sempre.

o último andar

(...)


É só que às vezes, eu ainda gosto de ter o controle sobre determinadas coisas, entende? E no entanto, parece que a única maneira de deixar que uma coisa se eternize, é deixando que ela se vá. Para sempre.

além-mundo

Deixei-me arrastar pelo tempo simplesmente por não poder mais resistir à eternidade que vive a roubar minha finitude. Eu tenho pressa e corro com a imprudência de quem carrega o desespero nos olhos. Deixo palavras pela metade e prefiro continuar calada, fazendo companhia pro meu silêncio. É só que talvez, em algum momento, eu precisei extravasar algum tipo de limite pra conseguir criar as minhas próprias fronteiras, entende? Então eu devoro o cetro só pra não arranhar a minha suscetibilidade. Porque eu não quero mais ter que ir embora toda vez que o meu coração sucumbir. Porque mesmo que isso signifique nunca mais ter os pés no chão outra vez, é a conseqüência mais óbvia pra deixar as coisas todas no lugar.

debaixo das pálpebras

Talvez, seja mesmo uma questão de tempo. Como se eu pudesse fechar os meus olhos e deixar certas coisas no passado apenas conjugando verbos em um presente distante. E eu preciso admitir que às vezes, as coisas se tornam mais fáceis dessa maneira. Porque o lado bom de tudo isso foi justamente ter saído em desvantagem. Essas coisas sempre são obvias demais pra gente perder tempo com coincidências. E sinceramente? Eu cansei de ter que merecer primeiro pra depois poder gostar de alguém. Desculpa te decepcionar.

quarta-feira

A racionalidade nunca foi o meu forte. Eu sempre fui um tipo de pessoa que precisa se camuflar pra poder aparecer e ser racional pra mim sempre significou agir com o coração. E agora, pareço engraçada tentando encontrar as palavras certas pra tentar me desculpar por todas as coisas erradas que tenho feito. Porque quanto mais o círculo se fecha, mais espaço eu ganho, entende? E eu levei muito tempo pra aceitar as coisas como elas realmente são. Foi preciso que eu aprendesse a me doar de um jeito diferente. Porque às vezes é preciso parar pra correr contra o tempo. E eu precisava disso, precisava mudar pra continuar sendo eu mesma, entende?

consoantes

O papel sempre foi o meu espelho. Meu disfarce pra eu ser um pouquinho mais de verdade, entende? Eu improviso palavras como quem inventa desculpas. E ensaio rimas a procura de rumos. Às vezes, é como se a minha vida fosse uma espécie de livro pautado no qual eu não consigo escrever sobre as linhas, entende? E a minha história parece ter virado uma história de reticências. Uma história de pontas soltas a amarrar (...)

versus você

(...)


Até nos lugares mais improváveis, nos olhares mais dispersos ou até quem sabe, no avesso do mundo onde o tempo corre com menos pressa pra gente poder descansar da realidade... Em cada linha, verso ou parágrafo mais avulso (...) no fim é sempre você quem eu encontro. Você está em todos os lugares e eu só queria que estivesse aqui, do meu lado. Você, que tem pólvora nos olhos e estrelas escondidas debaixo dos pés.