É que às vezes os cristais quebram e a gente é obrigada a mudar, porque as mentiras de tão constantes começam parecer verdadeiras. E o excesso faz o relógio marcar o tempo errado pro sangue correr nas veias certas.
Em suma, o brilho possui mais valor do que o próprio diamante em si.
Promessas
O silêncio do tempo, era a dor de se perder mais uma vez (...)
E embora haja tempo suficiente para esperar, agora é tarde demais. Já não há mais pra onde fugir, aonde chegar. E desde o começo soubemos. Como se as incertezas fossem redimir o que sentíamos. Mas isso não muda nada. Deixar tudo para trás é fazer escolhas. Então deixa ser. Porque fim nunca foi perda e hoje eu pude sentir o mesmo, e nem por isso deixou de ser amor. Então deixa estar. Não importa como ou quanto. Mesmo que nada seja dito. Que a nossa eternidade, seja agora. Seja por quem for.
Fica?
E embora haja tempo suficiente para esperar, agora é tarde demais. Já não há mais pra onde fugir, aonde chegar. E desde o começo soubemos. Como se as incertezas fossem redimir o que sentíamos. Mas isso não muda nada. Deixar tudo para trás é fazer escolhas. Então deixa ser. Porque fim nunca foi perda e hoje eu pude sentir o mesmo, e nem por isso deixou de ser amor. Então deixa estar. Não importa como ou quanto. Mesmo que nada seja dito. Que a nossa eternidade, seja agora. Seja por quem for.
Fica?
Esperança
Eu me flagrei hoje pensando em nós dois. E pela primeira vez com palavras gastas aparecemos na mesma frase em formas similares. E éramos parte de um mesmo todo. Apesar da distância. Apesar da ausência de te querer cada vez mais. E a vontade volta. Excessiva. Em mim e em você. E só você não vê que estamos sendo alugados pelo nosso próprio coração. E eu preciso te ter mais uma vez. É pra nunca ter fim mesmo.
Deixa a impressão. Está completo assim.
foi uma vez
Eu nunca imaginei que seria assim. Fácil demais enganar os outros, quando não se quer enxergar o que o coração insiste em manifestar. Eu só me pergunto até quando ainda haverá espaço suficiente pra nós dois. O quão perto nós conseguiríamos chegar. Porque com o tempo, de tão íntimos já não nos conhecemos mais. E eu me ponho no seu lugar e quem se machuca é você, enquanto deveria ser eu. Eu só queria que você soubesse a diferença entre colocar as coisas na balança e saber realmente o peso que elas exercem sobre a gente. Entre um e outro. Porque eu conheço o seu truque e por muito pouco não é recíproco. E eu realmente não me importo. Não vou inventar uma realidade que nunca existiu.
E então? Quem ganha esse cabo de guerra?
E então? Quem ganha esse cabo de guerra?
Relicário
Eu nasci pra querer. Querer viver. Preciso de ar, mais do que apenas respirar. E vivo assim, só de imaginação. Eu que sempre termino me desfazendo em palavras, mas que palavra mesmo eu não tenho: nunca cumpro o prometido. Eu que carrego o sol como amuleto e tenho sede de mundo. E já não caibo mais em mim. O coração salta pelos olhos, pela boca e me devora. Se condensa e me perdoa. Eu que nunca fui santa. E é só contração do sono que perde a voz e de repente eu já não sou. Ando mais livre, mais de mim. E de todo mundo. Do meu mundo, que respira lá fora. Fora de hora. E é inconsciente brincando de crime enquanto todo mundo dorme. E eu aqui, de olho aberto. Falando mentira no confessionário. Talvez, seja só um certo prestigio particular que acaba virando dor, contumácia e eu perco o sentido. Sentido que eu nunca tive e vivo fugindo pra não ter. Mas acho que mesmo se eu quisesse não conseguiria jogar tudo assim pro alto e o nome disso? É orgulho. E o meu é totalmente solúvel em raiva. Nada mais do que aqueles desaforos que a gente gosta de mastigar e quando se dá de ombros demais, eles escorregam e se agarram à gravidade virando força e você continua ali, de pé. Porque é sempre esperança, mesmo que latente, mesmo que ignorada: é. E no dia seguinte a dor vira ressaca. Erro que ganha cara de rascunho. E fim não é perda, anota ai: é TRANSFORMAÇÃO. Indolência que pede bis e que às vezes diz que é preciso se entregar. Esquecer pra deixar eles lá se lembrarem. Porque publicidade coloca auréolas até mesmo nos piores demônios e contraregras fazendo moda até que ficam bonitinhos... E aquelas horinhas vão virando eternidades. Múltiplas escolhas que ficam a margem da coletividade. Entretanto entretido que intervém e entretém entre tudo. E todos. E eu venho aprendendo a confiar nos outros pra depois confiar em mim mesma. Bem aquelas estratégias com prazo de validade que fazem você buscar forças lá nas suas próprias fraquezas. Mas nem sempre o que vale é a intenção. Pior do que a mentira é acreditar nela. E quer um segredo? A privacidade dos disfarces prende mais do que o próprio cárcere em si. E o pensamento sufoca a imaginação. E eu ainda tento falar do que nunca senti e as minhas escolhas acabam se fazendo por si só, tão independentes que eu nunca sei quando o ponto de partida é o pontapé inicial ou o desfecho convencional. E a gente aqui. Como se fosse assim, como se tudo se resumisse a isso.
Insolvente
E com o tempo as desnecessidades vão ficando à mostra, desnudando os meus anteparos que de tão transparentes transcendem e se transformam, interrompendo a cena em ritmo de teimosia. E o motivo é sempre o mesmo, eu sempre termino me aliando contra tudo o que eu mais abomino. E é por tanto pensar que eu acabo agindo por impulso, renegando dissabores que de tão (o)usados já não possuem valor algum. E falta tempo, espaço e verdade para querer, para retroceder e ir contra tudo o que eu não quero esquecer e a gente acaba transformando em desculpa, em força dissimulada. E é ponto pra nós. Mais uma vez. É só que hoje, talvez eu já não saiba mais como parar, se eu realmente conseguiria tampar os ouvidos e escutar o coração se restaurando. Porque de uma forma ou de outra acaba sendo a mesma coisa e depois só sobra isso. Desperdício e lixo. Vazio. Silêncio. É muito produto pra pouca adjacência, manutenção sem conseqüência. Ou talvez seja o contrário. Eu nunca sei quando é real. Quando o procedente é válido mesmo ou pura estratégia de marketing. E estabilidade é isso, controle remoto da estagnação. Contumácia que pede reciclagem constante pra desviar. E eu gosto disso. Do novo. Do imprevisto. Do susto que espera pela batida, pela intimidade quente. Mas não se preocupe, meu insucesso é somente para consumo doméstico. E quer saber? Não me leve a sério, eu nem resisto mesmo...
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