poemas e pétalas

Vez ou outra descuido da guarda e me deparo contigo.
Teus olhos-armadilha recolhendo a confusão dos meus dias. Teu riso tão meu suspenso em um raio de sol.

(...)

E tenho meus lábios se ajustando aos teus, um afeto esperando para existir e desejos que esbarram sem querer nas quinas do peito.
Eu: personagem de mim mesma. Que carrego comigo a timidez dos que não possuem certeza.
E você: credor de um coração negligente. Que faz ser singular aquilo que nos outros é tão comum.

Tão dono de si. Tão dono de mim...

amor-tecer

Eu vi teus olhos a emoldurar um infinito de possibilidades. Tua voz a preencher os detalhes. Teu silêncio a multiplicar minhas palavras (..) A saudade procurando um motivo pra ficar e o coração ritmando uma única certeza: você.

Não olha pra trás. Já foi.

(...)

Minha espera é a tua procura.
Tua fuga é o meu encontro.
E hoje, o imediato é o nosso tempo.

meio-tom

Às vezes sou grata pelo silêncio...
Pelos tempos sem data. Os sorrisos gratuitos. Os lampejos de cor recortando a retina...

É quando descanso meus olhos nos teus.
Quando a gente faz-de-conta. Quando a gente joga contra. Nas periferias do peito...

É quando posso ver o mundo contido num sorriso teu. É quando eu posso escrever um verso em que “você” rima “comigo”

(..)

miscelânea

Lá está ela: O mundo estendido sob os seus pés, o sol como um abraço... Nas veias: uma urgência que sangra. Nos olhos: o constrangimento dos que se entregam à casualidade das falhas. Ela vai pra onde mora a pulsação do mundo. Como quem não quer nada, ela quer ter pra onde voltar.
E o sorriso nos lábios é uma advertência: evidências da luta não há (...)

Vai menina, deixa o teu sorriso transformar o mundo...

até desistir

Fim é mesmo uma palavra condenada por definição. Traída pela semântica, combatida pelos pontos finais. É meu caro... game over, fim de linha, o arranque das despedidas... Não há como negar que todos nós abandonamos alguma coisa ali quando terminou. Nós, que sempre estivemos de mudança. E eu, que sempre quis ir embora e agora estou voltando pra um lugar do qual nunca saí de fato. Então deponho as armas, refaço as malas e levo comigo meu coração-bagagem rumo ao embarque dos desimpedidos. Pois agora eu sei. O futuro é o que sustenta o passado, não é mesmo? E essas fatalidades sempre me parecerão escolhas minhas. Porque agora desamarrar os nós parece tornar os laços mais fortes, entende? E tudo é relativo. E exato. Então eu espero e tudo me aguarda. É hora de provar o doce-amargo que antecede as despedidas.

Vem meu caro, vamos jogar. Os dados foram lançados...

des-espero

Talvez seja tarde para justificativas, embora eu continue sempre parecendo precipitada naquilo que faço. Ou talvez tudo já tenha sido realmente dito ou feito e agora estamos mesmo fadados ao silêncio. Porque as certezas que me chegam, ainda ecoam como uma tristeza. E eu me pego aqui repetindo erros antigos, desgastando as mesmas palavras com desculpas mal formuladas; Equilibrando tudo nos ponteiros do relógio para que o tempo não abrevie os meus devaneios. Entende? É que eu sempre fui dessas egoístas que não sabe dividir o próprio espaço e me vi meio invadida desde que você chegou fantasiado de sutileza, vestido com seus charmes e olhares e perfumes. E possibilidades. E eu só queria te dizer como é ver o mundo refletido nos teus olhos. Só queria que o meu silêncio pudesse dizer tudo o que eu sinto quando você me abraça. Porque nós sempre fomos um casal homogêneo. Apesar dos desencontros, dos desalinhos, das palavras tortas. Nós fomos determinados pela sorte, menino. Você é aquele que perdoa a minha imperfeição nessa desordem que é o mundo. Eu me entreguei a você e nunca me senti tão minha sendo tão sua. E é por isso que você não merece ser uma lembrança triste.

Desfaz esse engano destino...


rodapé

Ainda bem que janeiro está ai. Limpo, benigno. Pronto pra renovar as esperanças, dar anistia aos desacertos, resgatar as coordenadas e reanimar certas coisas que involuntariamente morrem com a chegada do calendário novo...